Veteranos advertem Obama sobre fraude da #CIA quanto a ataque químico na Síria

Veteranos advertem Obama sobre fraude da CIA quanto a ataque químico na Síria

7/9/2013 15:25
Por Redação, com agências internacionais – de Washington

Correio do Povo

Em relação à Síria, Obama está em situação idêntica a de seu antecessor, George W. Bush, em relação aos informes da inteligência norte-americana sobre as armas de destruição em massa no Iraque

Em relação à Síria, Obama está em situação idêntica a de seu antecessor, George W. Bush, em relação aos informes da inteligência norte-americana sobre as armas de destruição em massa no Iraque

Apesar da administração Obama estar supostamente informada “com alta precisão” que o governo da Síria perpetrou um ataque com armas químicas no dia 21 de agosto, nos arredores de Damasco, contra a população civil, dezenas de ex-militares dos EUA e funcionários da inteligência norte-americana estão dizendo ao presidente que estão recolhendo informações diametralmente opostas à história oficial.

Um memorando para o presidente, do instituto Veteran Intelligence Professionals for Sanity (VIPS), vazado para a mídia norte-americana, neste sábado, traz como assunto a questão: Será a Síria uma armadilha?. A prioridade do documento foi classificada como “Imediata”. A mensagem, publicada na página Consortium News, aparece assinada por uma lista de veteranos da inteligência norte-americana, encabeçada por Thomas Drake, aposentado como executivo sênior da National Security Agency (NSA, na sigla em inglês), Philip Giraldi, na reserva como oficial de operações da Central Inteligence Agency (CIA, também na sigla em inglês), Matthew Hoh, capitão reformado da Marinha dos EUA, com serviços prestados no Iraque e no Afeganistão, no Foreign Service Office, e Larry Johnson, também aposentado pela CIA, com serviços prestados ao Departamento de Estado norte-americano,

Segundo a mensagem ao presidente Barack Obama, ex-companheiros de trabalho dos agentes o assinam “estão dizendo, categoricamente, que ao contrário do que afirma a sua administração, a informação mais fidedigna mostra que (o presidente da Síria) Bashar al-Assad não é o responsável pelo acidente químico que resultou em civis mortos e feridos em 21 de agosto, e que os funcionários dos serviços de inteligência britânicos também o sabem”.

“Neste breve informe, optamos opr assumir que o Sr. não tenha sido plenamente informado, porque seus assessores decidiram lhe oferecer a oportunidade do que comumente se conhece com “negação plausível”. Já passamos por isso antes, com o presidente George W. Bush, a quem lhe dirigimos nosso primeiro VIPS memorandum, imediatamente após o discurso de Colin Powell na ONU, em 5 de fereveiro de 2003, quando se descobriu a “inteligência” fraudulenta para apoiar um ataque ao Iraque. Naquele momento, optou-se por dar ao presidente Bush o benefício da dúvida, pensando que ele teria sido enganado, o, no mínimo, muitomal assessorado. A natureza fraudulente do discurso de Powell era uma obviedade”, afirma o texto.

Ainda segundo os veteranos, as fontes que eles ouviram, de dentro do governo Obama, sabem que “houve um acidente no manuseio de armas químicas mas insistem, sem nenhuma dúvida, que o incidente não foi resultado de um ataque perpetrado pelo exército sírio com armas quimicas do arsenal militar. O que nos informam é que o diretor da CIA, John Brennan, está perpetrando uma fraude idêntica a que ocorreu nos momentos que antecederam a Guerra do Iraque junto aos membros do Congresso e aos meios de comunicação, ao público e até ao senhor presidente”.

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Lula defende comunicação alternativa: ‘Não vou mais reclamar de falta de espaço’

Vitor Nuzzi, da Rede Brasil Atual

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu na quarta-feira (27) que o movimento sindical e os setores progressistas da sociedade invistam mais na organização de seus próprios meios de comunicação, em vez de esperar imparcialidade da mídia tradicional em relação aos governos e às reivindicações de esquerda. Para ele, é preciso parar de reclamar por não ter saído no jornal ou ganhado destaque na imprensa. Os chamados formadores de opinião, disse Lula, eram contra as eleições diretas para presidente, contra o impeachment de Fernando Collor e contra a eleição dele e da atual presidenta, Dilma Rousseff.

Em ato pelos 30 anos da CUT, que serão completados em agosto, Lula disse que o próprio movimento sindical tem um aparato ‘poderoso’ de comunicação, mas desorganizado. “Quero parar de reclamar que os que não gostam de mim não dão espaço. Por que a gente não organiza o nosso espaço? Por que a gente não começa organizar a nossa mídia? Nós sabemos o time que temos, o time dos adversários e o que eles querem fazer conosco. Vocês têm de analisar qual é o espaço de imprensa que o movimento sindical tem.”

Dirigindo-se ao presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, Lula afirmou que a entidade tem de “dar um salto” e passar a atuar mais no auxílio aos movimentos sociais com pouca estrutura. “Não é apenas a luta corporativa. Esse economicismo é bom, mas não é tudo. Faça todas as brigas que tiver de fazer, internamente, mas quando terminar a CUT tem de ir pra rua. A CUT não nasceu para ficar dentro de um prédio.”

Segundo Lula, um dos criadores da CUT, em agosto de 1983, o radicalismo da central era necessário, nos primeiros momentos, para se firmar. “As pessoas não convidavam a gente para a festa deles. Tínhamos de falar grosso para subir um degrau. O importante é não perder o limite, a compreensão, as possibilidades da luta política, da correlação de forças.”

Assim, acrescentou, o movimento sindical não pode abrir mão de reivindicar, mas deve também saber negociar. “Se vocês virarem dirigente sindical chapa-branca, não vale a pena. Se for só do contra, também não vale a pena. Para valorizar o que a CUT tem feito e vai fazer, temos de imaginar como seria o Brasil sem ela. É preciso repensar o papel histórico da CUT.”

O ato teve a presença de todos os ex-presidentes da central: Jair Meneguelli (1983-1994), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (1994-2000), Kjeld Jakobsen (interino, de maio a agosto de 2000), João Felício (2000-2003), Luiz Marinho (2003-2006) e Artur Henrique (2006-2012). Dois prefeitos foram à cerimônia – o próprio Marinho, reeleito em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e Carlos Grana, de Santo André.

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PM arranca o som dos grevistas da Copel

Em greve desde a manhã desta quinta-feira, funcionários da Companhia Paranaense de Energia (Copel) concentram-se na frente da sede da empresa para protestar e apresentar suas reivindicações à direção da companhia e à sociedade. No entanto, por volta das 10h desta quinta-feira, a Polícia Militar do Paraná, que foi acionada pelo próprio sindicato dos trabalhadores para acompanhar o movimento e prevenir confrontos e abusos, tomou os equipamentos sonoros utilizados pelos manifestantes. Os policiais que acompanhavam o protesto aproveitaram um momento em que nenhuma equipe de televisão estava filmando a ação e tomaram dos grevistas os megafones e as caixas de som utilizadas no protesto, deixando os manifestantes sem nenhuma estrutura sonora para expor suas reivindicações. Valentes, os grevistas seguem na rua, na voz e no apito.

Paralisação de advertência

Segundo o coletivo de 15 sindicatos que representam os funcionários da Copel, a paralisação de hoje, a primeira nos últimos 23 anos, é uma paralisação de advertência contra a proposta de reajuste apresentada pela empresa. A estatal quer pagar apenas o reajuste da inflação nos últimos 12 meses, de 5,58%, enquanto os funcionários pedem 8,5% de aumento.

Fonte: Vanguarda Política

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Marco civil da Internet e fim do fator previdenciário em pauta na Câmara

Duas importantes votações estão na pauta dessa semana na Câmara

A votação do Projeto de Lei sobre o Marco Civil da Internet na Câmara dos Deputados, que foi passada da semana passada para esta terça-feira (20), vai se somar a votação do fim do fator previdenciário marcado para esta semana dentro do calendário de referência montado pela Presidência da Câmara para este final de ano. As duas matérias são polêmicas e envolvem muita disputa entre os parlamentares.

No caso do marco civil da internet, o adiamento se deu por pressão de líderes de partidos contrários ao texto apresentado pelo relator. O projeto estabelece princípios gerais para a internet brasileira, como liberdade de expressão, proteção à privacidade e a dados pessoais.

De acordo com a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a mobilização para a votação continua: “Nós lamentamos o adiamento, mas vamos insistir para manter a negociação e a votação a favor da neutralidade da rede, junto com os defensores da internet livre”, afirma.

O relator do projeto, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), defende em seu texto a permanência do conceito de neutralidade da rede, que pretende garantir a inexistência de privilégios na transmissão dos dados, independentemente de conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicativo.

Segundo o relator, pressões dos provedores de conexão têm impedido o consenso em torno do texto. Os provedores são contra o princípio da neutralidade. Além disso, estariam insatisfeitos com a proibição de guardar os registros da navegação dos usuários de internet.

A neutralidade de rede, de acordo com o relator, vai impedir que os provedores façam distinção de velocidade entre um ou outro site ou aplicativo. Alguns deputados manifestaram-se contra a neutralidade e defenderam a possibilidade de o provedor dar preferência, na transmissão de dados, para o consumidor que pagar mais.

Elaborado em 2009 pelo Ministério da Justiça, o projeto do Marco Civil foi enviado à Câmara em 2011 e, após aprovação ainda deve ser apreciado pelo Senado.

Fator previdenciário

O projeto que acaba com o fator previdenciário incidente nas aposentadorias do setor privado, já aprovado no senado, foi alterado na Câmara, o que produz objeção dos que são contrários ao fim do fator. O relator da matéria, o atual ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas (PT-RS) apresentou uma proposta alternativa ao fim do fator. Ele propôs a fórmula 95/85, segundo a qual a aposentadoria sem cortes ocorreria quando a soma da idade e dos anos de contribuição do segurado atingisse 95 no caso dos homens e 85 no caso das mulheres.

A mudança provoca controvérsia dentro do governo, que teme consequências de possíveis processos na Justiça pedindo equiparação com a nova regra para as aposentadorias já concedidas.

O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), disse, na semana passada, que ainda "costura um acordo” para a análise da proposta. “O acordo não é simples. Há resistência dentro do governo em função do impacto que poderá haver na Previdência”, disse Maia.

O fator foi criado no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1999, com o objetivo de desestimular a aposentadoria precoce por meio de um cálculo que diminui o valor dos proventos para aqueles que se aposentam mais cedo. Entretanto, até mesmo o governo admite que o mecanismo não surtiu o efeito esperado porque a média de idade dos recém-aposentados não aumentou.

Outras votações

Outras oito propostas também poderão ser votadas entre os dias 20 e 22 de novembro, em sessões extraordinárias. Já as sessões ordinárias do Plenário estão trancadas por duas medidas provisórias: a que autoriza o aporte de recursos públicos às parcerias público-privadas (PPPs) antes do término das obras; e a que permite preferência a produtos e serviços nacionais em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A primeira delas permite aos governos realizarem pagamentos às empresas com as quais mantêm parcerias público-privadas (PPPs) antes do término das obras, situação que não existe atualmente. Essas parcerias foram criadas em 2004 para estimular a participação da iniciativa privada em projetos com grande necessidade de investimento.

No caso da MP que permite a exigência de produtos e serviços nacionais na contratação de obras do PAC, a novidade do parecer é a extensão do Regime Diferenciado de Contratações (RDC) às obras do sistema público de saúde. Esse regime é aplicado atualmente às obras do PAC, das Olimpíadas de 2016, das copas das Confederações (2013) e do Mundo (2014), e do setor educacional.

O RDC reduz prazos de recursos nas licitações e permite a contratação integrada, quando uma única empresa fica responsável pela realização de uma obra, desde os projetos básico e executivo até a entrega do objeto em pleno funcionamento.

Também pode ser votado o uso de recursos do Fundo de Universalização de Serviços de Telecomunicações (Fust) no financiamento de serviços como a internet de banda larga; um requerimento de urgência para o projeto de lei que acaba com a tarifa básica de telefonia; e o Projeto de Lei que aumenta de 20% para 49% o limite de capital estrangeiro com direito a voto nas empresas aéreas nacionais.

Da Redação em Brasília
Com Agência Câmara

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Agressão a Gaza: o mundo não pode mais tolerar isso, diz Dilma

A presidenta telefonou ao secretário-geral da ONU, Ban-Ki-Moon, e
pediu a convocação extraordinária do Conselho de Segurança das Nações
Unidas para deter o "uso desproporcional da força" por parte de
Israel, no massacre aos palestinos na Faixa de Gaza; no dia de ontem
(18) prédio residencial foi atacado e quatro crianças foram
assassinadas

Enquanto os Estados Unidos e o Reino Unido legitimam os ataques de
Israel contra alvos civis na Palestina, a presidenta Dilma Rousseff se
levantou para condenar o "uso desproporcional da força" por parte do
Estado judaico e a inércia da ONU frente ao conflito. A pedido do
presidente do Egito, Mohamed Mursi, ela telefonou, na noite deste
domingo (18), para o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon,
pedindo a convocação extraordinária do Conselho de Segurança na busca
de um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

"Em qualquer assunto, como foi no caso do Congo, o Conselho de
Segurança da ONU se reuniu imediatamente. Mas quando se trata do
Oriente Médio, nada. Não dá para continuar esta inércia no tratamento
do Oriente Médio", disse Marco Aurélio Garcia, assessor especial da
Presidência.

Diante da gravidade dos ataques no dia de ontem (18), o Governo
brasileiro também não descarta em assumir um papel mais central na
questão como mediador. Um bombardeio por parte de Israel atingiu um
prédio residencial, matando 11 civis, entre eles, quatro crianças.

A agência Reuters informou que pelo menos 11 civis palestinos,
incluindo quatro crianças, foram mortos neste domingo (18), após um
ataque aéreo israelense contra um prédio na Faixa de Gaza, no pior
ataque por parte do Estado judaico em cinco dias de confrontos.

Israel sinalizou que uma possível invasão terrestre na área controlada
pelo Hamas poderia ser o próximo passo para uma maior ofensiva,
buscando interromper ataques com foguetes por militantes palestinos no
Estado judeu.

Neste domingo (18) Israel interceptou três foguetes disparados a
partir da Faixa de Gaza contra a sua capital comercial, Tel Aviv. Uma
pessoa foi ferida por escombros após a destruição de um dos projéteis.

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que, mesmo que Israel tenha
o direito de se defender, seria "preferível" evitar uma invasão
terrestre que provocaria uma escalada militar na Faixa de Gaza, um
estreito densamente povoado. A ofensiva terrestre poderia criar mais
vítimas e provocar uma condenação internacional, disse Obama.

Um porta-voz do Ministério do Interior em Gaza, controlado pelo Hamas,
que um míssil israelense destruiu um prédio de três andares, matando
11 pessoas, todas civis. Médicos disseram que quatro mulheres e quatro
crianças estão entre os mortos.

Com informações do portal 247

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=199121&id_secao=9


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Declaração da Federação Palestina sobre a guerra de Israel contra a Faixa de Gaza

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Declaração da Federação Palestina sobre a guerra de Israel contra a Faixa de Gaza

A FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil, legítima representante da comunidade palestina no Brasil, frente a guerra que Israel impõe à Faixa de Gaza, declara:

1. Condenamos os bombardeios indiscriminados por parte de Israel sobre Gaza, que mais uma vez, estão provocando a morte de civis, homens, mulheres e crianças e a destruição da infraestrutura social de primeira necessidade, fazendo ainda mais insuportável a difícil situação dos palestinos de Gaza, que há mais de cinco anos sofrem um cerco militar, econômico e social por mar, terra e ar.

2. Denunciamos a utilização da guerra, da morte de civis inocentes, como instrumento de campanha eleitoral por parte do Primeiro Ministro israelense.

3. Denunciamos essa guerra como mais um intento de Israel de castigar os palestinos por insistirem na busca do reconhecimento do seu Estado independente na ONU e , assim, tentar eliminar qualquer tentativa de paz com a OLP- Organização para a Libertação da Palestina, único e legítimo representante do povo palestino.

4. Rechaçamos toda e qualquer execução extrajudicial conduzida por Israel contra opositores de sua politica de ocupação e segregação do povo palestino.

5. Fazemos um chamado ao governo brasileiro para que envide todos os esforços nos fóruns internacionais por um cessar fogo imediato e a desmilitarização do conflito, para que o diálogo e as negociações de paz possam ter lugar, tendo como base o Direito Internacional, a Declaração Universal dos Direitos humanos, a Convenção de Genebra e todas as resoluções da ONU sobre a Questão Palestina.

6. Conclamamos a sociedade civil organizada do Brasil e de todas as partes do mundo, a envidarem todos os esforços para que o Fórum Social Mundial Palestina Livre, que será realizado em Porto Alegre, de 28/nov a 01/dez, construa uma solidariedade efetiva e global por uma Palestina livre, através de campanhas pacíficas por uma paz que garanta a implementação dos direitos nacionais inalienáveis do povo palestino ao retorno e autodeterminação.

Porto Alegre, 16 de novembro de 2012.

A GUERRA DE ISRAEL CONTRA GAZA, O VERDADEIRO TERRORISMO!

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Julgamento do STF do suposto “mensalão” será anulado, diz Luiz Flávio Gomes

Mensalão: julgamento do STF pode não valer

Luiz Flávio Gomes

Elaborado em 09/2012.

Parece muito evidente que os advogados poderão tentar, junto à Comissão Interamericana, a obtenção de uma inusitada medida cautelar para suspensão da execução imediata das penas privativas de liberdade, até que seja respeitado o direito ao duplo grau de jurisdição.

Muitos brasileiros estão acompanhando e aguardando o final do julgamento do mensalão. Alguns com grande expectativa enquanto outros, como é o caso dos réus e advogados, com enorme ansiedade. Apesar da relevância ética, moral, cultural e política, essa decisão do STF – sem precedentes – vai ser revisada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, com eventual chance de prescrição de todos os crimes, em razão de, pelo menos, dois vícios procedimentais seríssimos que a poderão invalidar fulminantemente.

O julgamento do STF, ao ratificar com veemência vários valores republicanos de primeira linhagem – independência judicial, reprovação da corrupção, moralidade pública, desonestidade dos partidos políticos, retidão ética dos agentes públicos, financiamento ilícito de campanhas eleitorais etc. -, já conta com valor histórico suficiente para se dizer insuperável. Do ponto de vista procedimental e do respeito às regras do Estado de Direito, no entanto, o provincianismo e o autoritarismo do direito latino-americano, incluindo, especialmente, o do Brasil, apresentam-se como deploráveis.

No caso Las Palmeras a Corte Interamericana mandou processar novamente um determinado réu (na Colômbia) porque o juiz do processo era o mesmo que o tinha investigado anteriormente. Uma mesma pessoa não pode ocupar esses dois polos, ou seja, não pode ser investigador e julgador no mesmo processo. O Regimento Interno do STF, no entanto (art. 230), distanciando-se do padrão civilizatório já conquistado pela jurisprudência internacional, determina exatamente isso. Joaquim Barbosa, no caso mensalão, presidiu a fase investigativa e, agora, embora psicologicamente comprometido com aquela etapa, está participando do julgamento. Aqui reside o primeiro vício procedimental que poderá dar ensejo a um novo julgamento a ser determinado pela Corte

Há, entretanto, um outro sério vício procedimental: é o que diz respeito ao chamado duplo grau de jurisdição, ou seja, todo réu condenado no âmbito criminal tem direito, por força da Convenção Americana de Direitos Humanos (art. 8, 2, h), de ser julgado em relação aos fatos e às provas duas vezes. O entendimento era de que, quem é julgado diretamente pela máxima Corte do País, em razão do foro privilegiado, não teria esse direito. O ex-ministro Márcio Thomaz Bastos levantou a controvérsia e pediu o desmembramento do processo logo no princípio da primeira sessão, tendo o STF refutado seu pedido por 9 votos a 2.

O Min. Celso de Mello, honrando-nos com a citação de um trecho do nosso livro, atualizado em meados de 2009, sublinhou que a jurisprudência da Corte Interamericana excepciona o direito ao duplo grau no caso de competência originária da corte máxima. Com base nesse entendimento, eu mesmo cheguei a afirmar que a chance de sucesso da defesa, neste ponto, junto ao sistema interamericano, era praticamente nula.

Hoje, depois da leitura de um artigo (de Ramon dos Santos) e de estudar atentamente o caso Barreto Leiva contra Venezuela, julgado bem no final de 2009 e publicado em 2010, minha convicção é totalmente oposta. Estou seguro de que o julgamento do mensalão, caso não seja anulado em razão do primeiro vício acima apontado (violação da garantia da imparcialidade), vai ser revisado para se conferir o duplo grau de jurisdição para todos os réus, incluindo-se os que gozam de foro especial por prerrogativa de função.

No Tribunal Europeu de Direitos Humanos é tranquilo o entendimento de que o julgamento pela Corte Máxima do país não conta com duplo grau de jurisdição. Mas ocorre que o Brasil, desde 1998, está sujeito à jurisprudência da Corte Interamericana, que sedimentou posicionamento contrário (no final de 2009). Não se fez, ademais, nenhuma reserva em relação a esse ponto. Logo, nosso País tem o dever de cumprir o que está estatuído no art. 8, 2, h, da Convenção Americana (Pacta sunt servanda).

A Corte Interamericana (no caso Barreto Leiva) declarou que a Venezuela violou o seu direito reconhecido no citado dispositivo internacional, “posto que a condenação proveio de um tribunal que conheceu o caso em única instância e o sentenciado não dispôs, em consequência [da conexão], da possibilidade de impugnar a sentença condenatória.” A coincidência desse caso com a situação de 35 réus do mensalão é total, visto que todos eles perderam o duplo grau de jurisdição em razão da conexão.

Mas melhor que interpretar é reproduzir o que disse a Corte:

“Cabe observar, por outro lado, que o senhor Barreto Leiva poderia ter impugnado a sentença condenatória emitida pelo julgador que tinha conhecido de sua causa se não houvesse operado a conexão que levou a acusação de várias pessoas no mesmo tribunal. Neste caso a aplicação da regra de conexão traz consigo a inadmissível consequência de privar o sentenciado do recurso a que alude o artigo 8.2.h da Convenção.”

A decisão da Corte foi mais longe: inclusive os réus com foro especial contam com o direito ao duplo grau; por isso é que mandou a Venezuela adequar seu direito interno à jurisprudência internacional:

“Sem prejuízo do anterior e tendo em conta as violações declaradas na presente sentença, o Tribunal entende oportuno ordenar ao Estado que, dentro de um prazo razoável, proceda a adequação de seu ordenamento jurídico interno, de tal forma que garanta o direito a recorrer das sentenças condenatórias, conforme artigo 8.2.h da Convenção, a toda pessoa julgada por um ilícito penal, inclusive aquelas que gozem de foro especial.”

Há um outro argumento forte favorável à tese do duplo grau de jurisdição: o caso mensalão conta, no total, com 118 réus, sendo que 35 estão sendo julgados pelo STF e outros 80 respondem a processos em várias comarcas e juízos do país (O Globo de 15.09.12). Todos esses 80 réus contarão com o direito ao duplo grau de jurisdição, que foi negado pelo STF para outros réus. Situações idênticas tratadas de forma absolutamente desigual.

Indaga-se: o que a Corte garante aos réus condenados sem o devido respeito ao direito ao duplo grau de jurisdição, tal como no caso mensalão? A possibilidade de serem julgados novamente, em respeito à regra contida na Convenção Americana, fazendo-se as devidas adequações e acomodações no direito interno. Com isso se desfaz a coisa julgada e pode eventualmente ocorrer a prescrição.

Diante dos precedentes que acabam de ser citados parece muito evidente que os advogados poderão tentar, junto à Comissão Interamericana, a obtenção de uma inusitada medida cautelar para suspensão da execução imediata das penas privativas de liberdade, até que seja respeitado o direito ao duplo grau. Se isso inovadoramente viesse a ocorrer – não temos notícia de nenhum precedente nesse sentido -, eles aguardariam o duplo grau em liberdade. Conclusão: por vícios procedimentais decorrentes da baixíssima adequação da eventualmente autoritária jurisprudência brasileira à jurisprudência internacional, a mais histórica de todas as decisões criminais do STF pode ter seu brilho ético, moral, político e cultural nebulosamente ofuscado.

Leia mais: http://jus.com.br/revista/texto/22696/mensalao-julgamento-do-stf-pode-nao-valer#ixzz2CDhCkvFI

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