Mostre as Algemas Zé!!

Por Lula Miranda
Foi o que teria dito a José Dirceu, em Setembro de 1969, um dos presos políticos naquele histórico momento de resistência à ditadura militar em que 15 prisioneiros do regime de exceção e arbítrio, que se instaurara no Brasil, foram libertados em troca do embaixador americano – na fotografia aparecem 13, apenas uma mulher.
Exceção e arbítrio. Palavras malditas. Palavras-emblema de tempos sombrios.
Segundo relato de Flavio Tavares, hoje jornalista e escritor, ele teria sussurrado aos companheiros na ocasião: “Vamos mostrar as algemas”. Fez isso num insight “de momento” ao notar que os presos que estavam ali perfilados, alguns agachados, como um time de futebol campeão, numa forçada pose para uma foto que viria a se tornar histórica, escondiam as algemas. E por que escondiam as algemas aqueles jovens? Talvez por vergonha. Talvez porque estivessem preocupados em como aquela imagem poderia machucar ainda mais seus familiares e parentes mais próximos. Ou talvez, simplesmente, porque já estavam por demais combalidos e abalados moral e emocionalmente para se preocuparem com aquele peculiar adereço do arbítrio. Não se sabe ao certo, tampouco importa. Mas, insistiu Tavares, naquele “insight” que, ao contrário,em vez de esconder, as exibisse.
Mostre as algemas, Zé! Exorto-lhe nos dias que correm hoje. Dias de incipiente e vilipendiada democracia.
Na foto, podem verificar, percebe-se nitidamente o Zé Dirceu exibindo, intrépido, as malditas algemas.
Eu que não fui amigo daquele jovem idealista algemado de outrora, tampouco conheci o suposto homem “todo-poderoso” do governo; logo eu que o combati na disputa política, até com palavras duras, eu que nunca o vi mais magro, ouso lhe fazer a mesma súplica:Mostre as algemas, José Dirceu!
Não tenha vergonha de nada; tenha orgulho. Você ainda será, por vias transversas, um preso político. Sim, orgulho! Em que pese a maledicência covarde daqueles que, assim como naqueles dias sombrios de 1969, hoje lhe apontam o dedo, xingam e condenam. São os mesmos – “imortais”, “eternos” porta-bandeiras da (falsa?) moral. Ora se são!
Mostre as algemas, Zé!
Exiba a todos, daqui e para o resto do mundo! Mostre a todos o que se faz aqui no Brasil a homens como você, que prestaram valorosos serviços à pátria; que lutaram com destemor pela ditadura; que ajudaram a eleger o Lula; que empenharam a sua vida e juventude no afã de mudar um pouco a feia face desse país tão injusto com seus filhos, ajudando a implantar políticas públicas que tiraram milhões da miséria e do desalento.
Mostre a p* dessas algemas, cara! Para o bem e para o mal. Para o orgulho dos amigos e regozijo dos inimigos.
Confesso que esperava que o julgamento do STF fosse “emblemático”, justo. Não “justo” pelo mesmo metro, critério ou “premissas” com que a imprensa insuflou e ensandeceu as galerias. Mas justo “de verdade”: que fossem condenados os culpados, aqueles que tivessem suas culpas efetivamente comprovadas. Sim, que fosse uma firme sinalização rumo ao fim da impunidade no Brasil. Mas não foi isso exatamente o que se viu. Não foi isso que testemunhamos. Houve erro e exagero. Do Supremo. Da mídia grande em geral. Uma caricatura. Entre erros e acertos, a injustiça foi soberana.
Os ministros demonstraram-se, desgraçadamente, um tanto tíbios, vaidosos e suscetíveis à pressão e clamor da turba, de modo irresponsável manipulada e insuflada pela opinião publicada.
Você foi condenado sem provas. Isso é fato, irretorquível. Foi condenado sem provas, repito. Foi condenado com base em suposições e suspeitas, com bases em capciosos “artifícios” jurídicos, tais como a hoje célebre “teoria do domínio do fato”. Uma excrescência, uma espécie de “licença poética” do golpismo – com o perdão dos poetas, por aqui aproximar as palavras “poética” e “golpismo”.
Eu poderia “achar” que você era culpado. O meu vizinho poderia achar que você era culpado. O taxista poderia achar. Todo mundo poderia “achar” que Zé Dirceu era culpado. Mas um juiz, seja do Supremo ou de 1ª instância, não pode, em absoluto, “achar” que você ou qualquer outro é culpado. Isso é uma ignomínia – como você tem se cansado de dizer, reiteradas vezes, em suas manifestações. Não nos cansemos de, indignados, exclamar: uma excrescência, uma ignomínia!
Zé,mostre as algemas! Elas são o espúrio troféu que lhe ofertam os verdugos!
Nunca pensei em sair do meu país, Zé, agora já penso com carinho e desconforto nessa possibilidade. Como posso viver num país em que minhas garantias fundamentais de cidadão não são respeitadas?!
Que país é esse?! Que Justiça é essa?!
Quebrou-se a pedra fundamental de toda nossa estruturação jurídica: a presunção da inocência. Em seu lugar colocaram a presunção da culpa. Parece piada, de mau gosto, decerto, mas não é. Como já disse antes, repito: não se é permitido fazer graça com a desgraça alheia. E sua vida foi desgraçada, Zé.
Mostre as algemas!
Veja bem, se você – insisto, reitero – um homem que tantos serviços prestou ao país, um homem respeitado por intelectuais, políticos e autoridades do mundo todo foi enxovalhado dessa maneira, submetido à execração pública pela mídia. Desonrado, chamado de “quadrilheiro”, “mensaleiro”, “ladrão”, o que fariam com um “poeta marginal” como eu? Um homem qualquer, sem galardão algum, sem cânone, sem mérito. Parafraseando certa atriz de cenho angelical, “namoradinha” desse mesmo Brasil: tenho medo.
Não sei que monstro o STF e a grande imprensa estão ajudando a criar. Mas uma coisa eu lhe asseguro: é assustador.
Para aqueles que, sem questionar, acham justa a sua condenação e prisão eu pergunto; para os “inocentes úteis” que aceitam sem titubear esses consensos forjados e essas verdades absolutas que a grande mídia sopra, todos os dias, em nossas consciências nos telejornais e nas manchetes dos jornais estampadas nas bancas; faço-lhes a pergunta que não quer calar: porque criminalizam e prendem somente os petistas e mais alguns “mequetrefes” da chamada “base aliada” do governo Lula?
Por que essas práticas de sempre na política, hipocrisia à parte, agora “ilícitas” e “criminosas”, só são permitidas aos “de sempre”? Por que os sessenta e tantos investigados no chamado “mensalão mineiro” [não é
tucano?!] não foram acusados/denunciados? E não serão jamais – pois para estes o crime é eleitoral; é caixa 2, já prescreveu [“Dois pesos, dois
mensalões” – by Jânio de Fritas]. Já quando são petistas os agentes da ação… é corrupção; é “golpe”; são “práticas espúrias”, “criminosas” de um partido, digo de uma “quadrilha”, em “sua sanha de se perpetuar ad eternum no poder”. Não, essas palavras não vieram da tribuna do Senado ou da Câmara dos Deputados, não saíram da boca de algum político da oposição, mas – pasmem! – foram proferidas por ministros do Supremo. Por ministros do Supremo, repito! Juízes na Ação Penal nº 470. Vejam a que ponto chegamos!!!
Mostre as algemas, Zé! Mostre as algemas!
Essas tais “práticas ilícitas” ou “criminosas” não deviam ser permitidas a ninguém – não é mesmo? A Justiça não deveria ser igual para todos?!
Qual a resposta a esse singelo por quê?
Por que só os petistas são condenados, execrados e presos?
A resposta também é simples: para que o poder permaneça nas mãos dos "de sempre", nas mãos dos eternos “donos do poder”. As chamadas “regras do jogo”, até as bastardas, servem apenas para a parte podre das nossas elites; quando é para os “do lado de cá” aí deixa de ser “regra do jogo”, passa a ser crime; “práticas espúrias”; “compra de voto”.
Faço um singelo convite a todos: vamos pensar o país, no qual a gente vive, um pouco além da hipocrisia, do partidarismo, do "falso moralismo" e dos "manchetismos grandiloquentes" de uma imprensa que serve aos interesses de determinada classe social e ideologia. Mais temperança e equilíbrio aos juízes Supremos e nem tão supremos assim, o chamado “cidadão comum”.
Não podemos nos dobrar a esse estado de coisas. Não podemos nos calar e assim sermos cúmplices e testemunhos silentes dos erros dos tribunais. Repito: o Supremo exagerou; a mídia exagerou.
Quadrilha?! Onde? Compra de votos?! Penas de reclusão superiores a 30 anos! Há aí um nítido erro na tipificação dos crimes, nas condenações e exagero na dosimetria das penas. O que é uma pena. Pois isso poderá até favorecer aos condenados, pois essas condenações injustas e essas penas exageradas certamente serão revistas algum dia, por esse ou por outro tribunal. Espero, sinceramente, que sejam revistas por esse mesmo colegiado, pois ali também estão homens de valor. E que essa vergonha, esse grave equívoco não se perpetue.
Nesse momento, só me resta dizer…
Mostre, com orgulho, as algemas, José Dirceu!
Lula Miranda é poeta, cronista e Economista. Foi um dos nomes da poesia marginal na Bahia na década de 1980. Publica artigos em veículos da chamada imprensa alternativa, tais como Carta Maior, Caros Amigos, Observatório da Imprensa, Fazendo Média e blogs de esquerda

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14 novembro: A primeira greve internacional do século XXI

Se qualquer convocatória de greve geral merece uma atenção especial pela sua transcendência e impacto político, a que se realiza este dia 14 de Novembro, ainda mais: trata-se da primeira greve internacional do século XXI. Por Nacho Álvarez, Público.es

Seremos milhões de trabalhadoras e trabalhadores, os cidadãos, que – de Lisboa até Atenas, passando por Madrid e Roma – não daremos aulas, não daremos consulta, não iremos aos escritórios, nem acenderemos as fundições

A Europa vive nesta quarta-feira uma Jornada Europeia de Ação e Solidariedade pelo emprego e contra as medidas de austeridade, que inclui protestos e manifestações em vários países assim como uma convocatória de greve geral em Espanha, Portugal, Itália e Grécia. Além disso, à convocatória uniram-se diversos coletivos e movimentos sociais, contribuindo com isso para que a greve transcenda o âmbito estritamente laboral.

Os cidadãos europeus, especialmente os dos países periféricos, experimentaram um significativo retrocesso das suas condições de vida desde que começou a crise. Os trabalhadores gregos viram como os seus salários e pensões sofreram cortes entre 30% e 40%, como foram suprimidos 15% dos empregos públicos, como se atrasou em 4 anos a idade da aposentação e como se fecharam centenas de escolas e hospitais. Em Portugal, suprimiram-se os subsídios de Natal e de férias de empregados públicos e pensionistas, e uma reforma laboral reduziu as indemnizações por despedimento, as férias, os subsídios de desemprego e a remuneração das horas extraordinárias. O governo italiano passou o IVA de 21% para 23%, elevou a idade da aposentação até aos 66 anos e congelou as pensões, ao mesmo tempo em que procedeu à privatização de numerosas entidades públicas. Em Espanha, conhecemos de sobra as receitas exigidas pela Troika: os cortes salariais e os despedimentos afetaram de forma generalizada os trabalhadores, tanto no sector público como no privado, atrasou-se a idade da aposentação e alargou-se o período de cômputo para o seu cálculo, a reforma do mercado de trabalho facilitou e embarateceu o despedimento, enquanto se quebrava a negociação coletiva, os cortes na saúde e no ensino foram generalizados e massivos (eliminação de direitos de assistência, encerramento de serviços e unidades, aumento das taxas universitárias, despedimentos de pessoal, etc.).

Estas políticas, implementadas sob pressão de Bruxelas e em nome da recuperação económica, não fizeram mais do que aprofundar a crise, empobrecer milhões de cidadãos em toda a Europa e incrementar as desigualdades sociais. Além disso, estas medidas foram adotadas de forma fraudulenta, dado que não estavam contempladas nos programas eleitorais dos governos que as impuseram.

Com tudo isto, nos diversos países da periferia europeia consuma-se uma fraude similar: uma crise de origem bancária, vinculada à sobredimensão dos balanços destas instituições e/ou o endividamento externo, pode ser transferida pelas elites económicas para o sector público, de forma que seja sufragada pelo conjunto da cidadania e, particularmente, pelas classes trabalhadoras. Os resgates vinculados ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, incluindo o resgate de 100.000 milhões de euros solicitado em junho pelo governo espanhol à UE para recapitalizar a banca, permitem – de forma mais ou menos direta – ir saldando as dívidas com os credores privados e os investidores estrangeiros a troco de que o país “resgatado” contraia uma nova dívida com a UE, que passa a ser paga com os cortes sociais e os impostos dos cidadãos.

A socialização dos prejuízos bancários, uma estrutura fiscal regressiva e caraterizada pela desfiscalização das rendas do capital, e a negativa do BCE de comprar a dívida dos países em apuros determinaram que as economias periféricas aumentassem durante a crise a sua dívida pública. Assim, ainda que o défice primário (aquele que exclui o pagamento de juros sobre a dívida) de Portugal, Espanha, Grécia e Itália situa-se atualmente, segundo dados do Eurostat, em -1,6% do PIB, estas economias veem-se forçadas a fazer dramáticos cortes sociais para continuar a pagar os avultados juros da dívida pública. Só em Espanha os juros desta dívida ascendem a 114.000 milhões de euros durante o período de 2008 a 2012 (equivalente a 12% do PIB).

Face a semelhante fraude global, as organizações sindicais europeias convocaram a primeira greve geral do século XXI. Dado que a agressão aos direitos laborais, sociais e democráticos é continental, também a resposta tem que o ser, no que constitui um importante passo na história sindical europeia.

Por tudo isto, seremos milhões de trabalhadoras e trabalhadores, os cidadãos, que – de Lisboa até Atenas, passando por Madrid e Roma – não daremos aulas, não daremos consulta, não iremos aos escritórios, nem acenderemos as fundições, não tiraremos as escovas dos armários, não ligaremos os computadores, não abriremos as nossas lojas, nem atenderemos os telefones dos centros de atendimento a clientes, não estaremos ao comando do metro, comboio ou autocarro, nem consumiremos. Definitivamente, as pessoas que fazem com que a nossa sociedade se ponha em andamento em cada manhã não o farão nesta ocasião. Porque parar amanhã significa criar condições para que uma alternativa política seja possível depois de amanhã. O nosso futuro e o dos nossos depende disto.

Publicado no Público.es

Nacho Álvarez é Professor de Economia Aplicada na Universidade de Valadolid. Membro do coletivo EconoNuestra.

Tradução: António José André.

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Injusta Sentença

Dediquei minha vida ao Brasil, à luta pela democracia e ao PT. Na ditadura, quando nos opusemos colocando em risco a própria vida, fui preso e condenado. Banido do país, tive minha nacionalidade cassada, mas continuei lutando e voltei ao país clandestinamente para manter nossa luta. Reconquistada a democracia, nunca fui investigado ou processado. Entrei e saí do governo sem patrimônio. Nunca pratiquei nenhum ato ilícito ou ilegal como dirigente do PT, parlamentar ou ministro de Estado. Fui cassado pela Câmara dos Deputados e, agora, condenado pelo Supremo Tribunal Federal sem provas porque sou inocente.

A pena de 10 anos e 10 meses que a suprema corte me impôs só agrava a infâmia e a ignomínia de todo esse processo, que recorreu a recursos jurídicos que violam abertamente nossa Constituição e o Estado Democrático de Direito, como a teoria do domínio do fato, a condenação sem ato de ofício, o desprezo à presunção de inocência e o abandono de jurisprudência que beneficia os réus.

Um julgamento realizado sob a pressão da mídia e marcado para coincidir com o período eleitoral na vã esperança de derrotar o PT e seus candidatos. Um julgamento que ainda não acabou. Não só porque temos o direito aos recursos previstos na legislação, mas também porque temos o direito sagrado de provar nossa inocência.

Não me calarei e não me conformo com a injusta sentença que me foi imposta. Vou lutar mesmo cumprindo pena. Devo isso a todos os que acreditaram e ao meu lado lutaram nos últimos 45 anos, me apoiaram e foram solidários nesses últimos duros anos na certeza de minha inocência e na comunhão dos mesmos ideais e sonhos.

José Dirceu

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Derrota histórica da educação na Câmara dos Deputados

O dia 6 de novembro de 2012 será lembrado a partir de agora como um dia triste, em que a educação e o povo brasileiro foram derrotados na Câmara dos Deputados. Não foi aprovado o projeto do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), que contava com o apoio do Governo Federal e previa a destinação de 100% das verbas da extração de petróleo (royalties) fossem destinadas para a Educação.

A maioria dos deputados aprovou o projeto do Senado, que previa uma simples redistribuição dos royalties entre os estados, e que inviabilizou a apreciação do projeto substitutivo do deputado petista.

Os dois únicos partidos cujas bancadas votaram 100% fechadas a favor da educação foram PT e PCdoB.

Do PSol, que tem 3 deputados, somente o Ivan Valente participou, e votou certo.

Aliados do Governo ajudaram a construir a derrota, como o PSB, que "liberou a bancada" e teve 12 dos seus deputados (de 26) votando contra a educação.

O PDT, que costuma se apresentar como "o partido da educação", orientou sua bancada para votar contra a educação e teve 14 deputados (de 21), votando desta forma.

Em uma votação apertada, de 220 a 211 (9 votos), esses posicionamentos fizeram muita diferença!

Além do PT e PCdoB, estavam favoráveis à proposta todos os movimentos sociais ligados à educação, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a União Nacional dos Estudantes (UNE), e diversos outros movimentos e militantes.

Este resultado mostra os limites da chamada “base aliada”, que vota contrária justamente quando o país e o povo mais precisam, como aconteceu na recente votação do Código Florestal.

Outra reflexão deve ser direcionada aos eleitores, que muitas vezes seguem o jargão tão difundido pela imprensa de que “é preciso votar em pessoas, não em partidos”.

Precisamos defender a importância de votar em partidos, em projetos políticos, sob o risco por exemplo de se acreditar que está votando em alguém “a favor da educação” ou genericamente “progressista”, mas que na verdade representa interesses alheios aos da grande maioria da população.

Esta foi uma derrota dura, mas que não pode nos desanimar. Precisamos fortalecer o trabalho de organização dos movimentos sociais, sindicatos e dos partidos verdadeiramente de esquerda, assim como aprofundar o diálogo com a população sobre a importância de aumentarmos o financiamento para a educação no Brasil.

Somente assim construiremos um país justo e desenvolvido!

Yuri Soares Franco

Professor e Historiador pela Universidade de Brasília – UnB

Militante do Partido dos Trabalhadores

* Veja a lista dos deputados, por partido, que votaram contra e a favor da educação: http://va.mu/Y8li

Fonte: Página 13

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Lula tem de ir às ruas se vier o golpe

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre

"Os barões da imprensa e da máquina midiática privada de concessão pública são os carteiros do golpismo e o Judiciário o remetente". (Palavra Livre)

"Procurador prevaricador prevaricador é". (Palavra Livre)

"Veja é a revista PCC da comunicação. É o talibã da imprensa. (Paulo César Pereio)

"Jornalista bandido bandido é". (Protógenes Queiroz)

"A PGR é uma cafua da Veja. Revista cheia de chumbetas". (Fernando Collor)

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=_areHb4P5Jg

O pasquim de péssima qualidade editorial conhecido como Veja, a revista porcaria, sempre se supera quando se trata de cometer delinquências. Veja é uma cafua infestada por chumbetas e que conta atualmente com a leniência e o compadrio da Procuradoria Geral da República, na pessoa do procurador Roberto Gurgel, aquela autoridade que sentou nos autos de processos das operações Vegas e Monte Carlo, atitude cujo propósito era blindar o senador cassado, Demóstenes Torres (DEM/GO), bem como proteger o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, que reconheceu, de viva voz, que o bicheiro preso, Carlinhos Cachoeira, “tinha alguma influência” em seu governo.
Contudo, tal procurador, tão zeloso com os interesses da Pátria Mãe Gentil e que a meu ver deveria ser chamado às falas pelo Senado, não teve a mesma conduta com o governador petista do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. De forma alguma, pelo contrário, recrudesceu as acusações, todas, porém, no decorrer do processo, rechaçadas. Até hoje os chumbetas de Veja associados ao pauteiro chefe do pasquim da Abril, Carlinhos Cachoeira, não deram satisfações à CPMI do Cachoeira-Veja-Época (Globo), bem como estão neste momento a “bolar” as próximas delinquências, como se eles fossem, realmente, inimputáveis. E o procurador Gurgel de braços cruzados quando se trata de investigar os inimigos dos governos trabalhistas de Lula e Dilma.
A política brasileira foi judicializada. Homens que estudaram Direito, nomeados por autoridades eleitas pelo povo, transformaram a PGR, os MPs e os tribunais, como o STF, em partidos políticos não oficiais, mas com força e influência suficiente para combater governantes e políticos progressistas, que, por intermédio de seus programas, resolveram distribuir renda e riqueza e dessa forma realizarem profundas modificações na sociedade brasileira, além de elevararem o Brasil a um patamar de poder econômico e de influência política jamais visto pelos nativos de todas as classes sociais desta terra de palmeiras em termos mundiais.

Pereio: "Veja é a revista PCC da comunicação. É o talibã da imprensa".

É o Poder Judiciário mancomunado com o sistema midiático privado, conservador e historicamente golpista que não aceitam, de forma alguma, as consecutivas eleições e reeleições dos trabalhistas, única corrente política brasileira, a partir de 1930, que realmente pensou e efetivamente construiu um Brasil para todos, mais justo e democrático não somente para uma elite perversa, separatista, reacionária e violentíssima, que quer um País VIP, com universidades, aeroportos, shoppings, restaurantes, bairros e principalmente o acesso ao consumo para poucos, e com isso dar continuidade a uma tradição escravocrata, em que o povo, por intermédio dos trabalhadores, somente é tolerado pelas classes abastadas e por isso dominantes para servir, de preferência vestido com uniforme, para logo, após o expediente, voltar o mais rápido possível para casa, na periferia ou nos morros das cidades, sem incomodar ou reivindicar qualquer coisa.

Não adianta o Brasil ter melhorado nos últimos dez anos as condições de vida da população, principalmente a mais pobre, a carente, composta por cerca de 40 milhões de pessoas que estavam abaixo da linha de pobreza. Não importa se todo mundo ganhou, inclusive os grandes empresários, por meio da explosão da economia brasileira com o fortalecimento do mercado interno e o pagamento da dívida com o FMI. Nada importa para os representantes de uma “elite” encastelada no Judiciário e nos meios de comunicação de negócios privados, ideologicamente de direita e que não aceitam, de forma bárbara, os resultados das urnas e por isso boicotam, golpeiam e tentam, como em 2005, derrubar políticos eleitos e para isso demonizam líderes oriundos do ventre do povo e da envergadura política do ex-presidente Lula.
Os ataques ao político trabalhista são diuturnamente esquematizados nas redações da imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) e em alguns gabinetes onde trabalham em prol da burguesia, principalmente a paulista separatista, homens e mulheres que usam togas e capas pretas, a cor do luto, que, ousadamente, partidarizam o que é público em afronta ao trabalhador contribuinte que paga os seus salários para defender o estado, a sociedade e não para fazer política de baixo nível contra aqueles que foram eleitos pela vontade soberana do povo brasileiro.

Se a direita, por meio do Judiciário, tentar dar golpe de à la Paraguai, Lula tem de ir às praças e pôr o povo nas ruas.

Essa gente do Judiciário e da imprensa corporativa que vive da publicidade oficial não dá um golpe de estado na Dilma Roussef e não prende o cidadão que mudou o Brasil para melhor, Luiz Inácio Lula da Silva, porque não tem voto, pois que os trabalhistas têm milhões de votos e podem muito bem, se acuados, mobilizarem o conjunto da sociedade civil organizada, a exemplo da CUT, de outras federações e confederações de trabalhadores, do PT, dos partidos de esquerda, dos Sem Terra, das instituições estudantis, de associações e organizações de profissionais autônomos, das donas de casa, enfim, do povo, chamá-los para ocuparem as ruas e as praças e, por conseguinte, darem fim às tentativas de golpes, já concretizados no Paraguai e em Honduras, quando derrubaram presidentes eleitos (Manuel Zelaya e Fernando Lugo) do campo trabalhista e de esquerda, por intermédio da judicialização e da criminalização da política, ou seja, juízes e promotores de direita (sem votos e nomeados), conservadores, herdeiros ideológicos das elites golpistas que escravizaram os índios e os negros, querem tomar o poder por meio de uma canetada, a rasgarem constituições e a darem caneladas no jogo democrático e no estado democrático de direito. Quem brinca com fogo pelo fogo é queimado.
As classes economicamente hegemônicas brasileiras são das mais perversas do mundo, porque além de provincianas são colonizadas. Todo desprezo a elas é pouco. A Veja, segundo o senador Fernando Collor (PTB-AL), é um pardieiro de “chumbetas”. E a PGR não passa de uma “cafua”. Collor, todos sabemos, não é santo, mas também não é o diabo que pintaram durante quase 20 anos. Afinal, quem ajudou, e muito, a eleger o Collor em 1989 foi, indefectivelmente, a oligarquia brasileira, com seu poder econômico, além de parte numerosa das diferentes classes médias que renega aquele em quem votou há 23 anos e até hoje pensa como os ricos, repercute a mesma ideologia e princípios e odeia ver pobres nos aeroportos, nos restaurantes, nos shoppings e nas universidades públicas. É o pessoal que deseja para sempre um mundo VIP para eles e somente deles, lógico.
O PT saiu das eleições às prefeituras como o maior partido político do Brasil, bem como é a agremiação partidária que vai administrar o maior orçamento, além de ter a maior bancada no Senado e na Câmara dos Deputados, ter a presidenta da República, ter o maior líder político da América Latina, ter a caneta que nomeia procuradores e juízes do STF e do STJ e ter, o que é o mais importante e significativo, a maioria dos votos e da confiança do povo brasileiro. Ponto. Contudo, a questão fundamental, a pergunta que não quer calar é a seguinte: por que esse poderoso partido, o único orgânico, não vai à luta com mais determinação e destemor e assim colocar os que não têm voto em seu devido lugar?

Respondo: o PT, apesar de suas diferentes frentes ideológicas e grupos políticos, é um partido do diálogo, constitucional e institucional, legalista e, fundamentalmente, republicano. Por estar no poder há dez anos e sabedor de sua força eleitoral, o Partido dos Trabalhadores fundamenta suas ações em seu caráter programático, em seus programas, projetos e planos de governo, porque por ser um partido orgânico, ou seja, inserido em todas as camadas sociais, inclusive em setores da chamada classe A, indubitavelmente se tornou e é um partido pragmático, que efetiva seus programa sociais e realiza obras, angaria simpatias das classes sociais populares e, por conseguinte, evita rasgar a Constituição, encerrar o jogo democrático e levar à cabo confrontos que podem levar o País a uma crise institucional.
E é exatamente o que a direita política, partidária (PSDB, DEM e PPS) e institucionalizada (STF e PGR) querem, porque, como afirmei anteriormente, os conservadores não têm votos o suficiente para conquistarem a Presidência da República. Eles sabem disso. Como compreendem também que quando estiveram no poder não fizeram nada para melhorar as condições de vida do povo. E se conquistarem o poder novamente, continuarão a não fazer nada, porque seu único programa de governo e para a sociedade é manter o cabresto, que também pode ser chamado de status quo — a essência de todo establishment. Para terem adeptos para seus propósitos elitistas, essa direita draconiana conta com seus porta-vozes — a máquina midiática dos barões da imprensa e seus empregados que também são chamados de jornalistas, comentaristas, especialistas, editorialistas e colunistas.
É assim que a banda toca. Quem não acredita no que eu afirmo paciência. Fazer o quê? Entretanto, se tem uma coisa que eu conheço é a imprensa burguesa. Suas células e o sangue que corre em suas veias são a essência e a plenitude da desfaçatez e do conservadorismo de essência separatista e de exclusividade. Os barões da imprensa e seus áulicos são os porta-vozes do atraso e do retrocesso. Eles são os defensores dos que querem um País para o deleite de poucos, porque sempre foram beneficiados pela exclusividade de seu mundo pequeno, tacanho, provinciano e VIP. Desejam e por isso lutam por um estado patrimonialista e que atenda suas necessidades. Os barões da imprensa e da máquina midiática privada de concessão pública são os carteiros do golpismo e o Judiciário o remetente. Se eu fosse o Lula e percebesse que a direita vai dar um golpe por causa das eleições de 2014, iria às praças e conclamaria para o povo sair às ruas. O trabalhista sabe o caminho, pois andou nele em 2005.

PS: Collor denunciou, no plenário do Senado, que a Procuradoria do Roberto Gurgel vazou informações em segredo de justiça à Veja, revista que elabora o mais autêntico, verdadeiro e pernicioso jornalismo de esgoto. Tais informações são relativas às operações Vegas e Monte Carlo. A Veja, a revista porcaria, é uma cafua repleta de chumbetas. E a PGR? É isso aí.

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Palestina: Chamada para Ação Solidária simultânea, 28 de novembro até 1o de dezembro de 2012

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Chamada para Ação Solidária simultânea, 28 de novembro até 1o de dezembro de 2012

De 28 de novembro a 1o de dezembro, milhares de ativistas, líderes comunitários, jovens, grupos religiosos, sindicatos, músicos, acadêmicos e muito mais irão convergir para Porto Alegre, Brasil para o primeiro Fórum Mundial Social dedicado exclusivamente à Palestina.

Para aqueles que não podem se juntar a nós no Brasil, o Fórum Social Mundial Palestina Livre FSM-PL pede que sejam organizados protestos simultâneos, ações criativas e esforços de mídia em todo o mundo para chamar a atenção para as metas e estratégias que serão discutidas e promovidas durante este Fórum.


O FSM-PL será um encontro mundial de amplas mobilizações populares e da sociedade civil de todo o mundo.


Os objetivos são:

1. Mostrar a força da solidariedade com o povo palestino e a diversidade de iniciativas e ações destinadas a promover a justiça e a paz na região.

2. Criar ações efetivas para garantir a autodeterminação palestina, a criação de um Estado palestino tendo Jerusalém como sua capital e do cumprimento dos direitos humanos e do direito internacional, com as seguintes ações:

a) o fim da ocupação israelense e da colonização ilegal de todas as terras árabes e a destruição do Muro; b) Garantir os direitos fundamentais dos cidadãos árabe-palestinos de Israel à fim de gozar igualdade plena, e c) Implementar, proteger e promover os direitos dos refugiados palestinos de regressar às suas casas e propriedades como estipulado na Resolução 194 da ONU.

3. Ser um espaço de discussão, troca de idéias, estratégia e planejamento, a fim de melhorar a estrutura de solidariedade.

Como fazer parte da FSM Palestina Livre Estendido?

O Fórum Social Mundial Palestina Livre convoca atividades globais simultâneas em solidariedade com o acontecimento histórico no Brasil.

Para ser parte do esforço FSM Palestina Livre, pedimos que:

  • Use o logotipo FSM-FP durante o evento e no material promocional;
  • Informe-nos com antecedência a sua atividade em extended e prensa para contribuir na promoção global.
  • Envie-nos fotos, vídeos de sua atividade para exibi-los em Porto Alegre.

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Partido dos Trabalhadores (BR) sobre os índios guarani-caiowá

Distribuído para toda a redecastorphoto

De: Jose Augusto Valente

Prezado Castor

O governo federal está atuando para viabilizar a demarcação dessas terras, o que está longe de ser uma tarefa fácil, já que, como vc bem disse, tem o judiciário pela frente.

Sobre esse assunto, é bom saber que a demarcação da Terra Indígena Arroio Korá foi homologada pelo ex-presidente Lula, em 21 de dezembro de 2009, mas, no mês seguinte, o então presidente do STF, Gilmar Mendes, concedeu uma liminar favorável a quatro fazendas que reivindicavam a área, reconhecendo o “periculum in mora” para os fazendeiros e suspendendo a homologação da reserva.

Segundo matéria publicada no site do Tribunal em 20 de janeiro de 2010, logo após a decisão do ministro, o risco para o direito dos pecuaristas derivava entre outros fatores, de “notícias nos autos de que, com a publicação do decreto homologatório, as lideranças indígenas já se movimentam para, nos próximos dias, perpetrarem atos de ocupação das terras demarcadas”.

Depois da liminar de Gilmar Mendes, o passou a caminhar a passos lentos no STF e ainda não foi votado por todos os ministros. A morosidade da Justiça levou 170 indígenas a ocuparem a área, em agosto deste ano, onde permanecem sob o cerco de pistoleiros.

Em setembro, a Justiça Federal de Naviraí (MS) concedeu reintegração de posse das terras aos fazendeiros, o que levou os índios a escreverem uma “carta testamento”, na qual reafirmam a disposição de resistir à desocupação. O texto, com ampla divulgação na internet, desencadeou a onda de solidariedade à etnia.

A Polícia Federal e a Força Nacional estão na área, para garantir a segurança dos Guarani-Kaiowá e a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) ingressou na Justiça contestando a reintegração de posse.

Hoje mesmo, no Valor, tem matéria com a Funai se manifestando solidária ao movimento dos Guaranis Kaiowas

http://www.valor.com.br/brasil/2881190/para-funai-decisao-de-indigenas-de-nao-deixar-suas-terras-e-legitima

Quanto ao PT, indico alguns links abaixo mostrando que temos posição e a manifestamos.

O governo também tem posição, fez a sua parte, mas infelizmente ainda não controlamos o STF.

O que será possível a partir de 2013, com as novas indicações pela Dilma

http://www.pt.org.br/noticias/view/petistas_defendem_indios_guarani_kaiowa_e_seu_direito_a_terra

http://www.pt.org.br/secretaria_noticias/view/violencias_contra_os_guarani_kaiowa_sinais_de_uma_politica_de_exterminio

http://www.pt.org.br/mobile/view/a_silenciosa_guerra_colonial

http://www.pt.org.br/mobile/view/direitos_humanos_e_balas

Como se vê, tanto o PT tem clara posição sobre o assunto, como o governo fez e continua fazendo a sua parte.

Saudações socialistas

José Augusto Valente

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