Exibição do filme “Justiça” e debate sobre cinema e direito, nesta sexta.

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A rigor a arte cinematográfica se manifesta na manipulação criativa das
imagens em movimento, através dos enquadramentos, movimentos de câmera,
decupagem e encenação. Na maioria dos filmes este repertório interage com
outras vias expressivas: as atuações, o roteiro, a fotografia, a trilha
sonora, a direção de arte, entre outras coisas. Quase nunca, porém, um
filme é "só isso". Muitos cineastas trazem conhecimentos que transbordam a
matéria específica cinematográfica e isto se imprime naquilo que
experienciamos nos filmes.
E é neste lugar de interação que nasce a proposta aqui materializada na
mostra (trans)cinema – Diálogos entre cinema, arte e humanidades. Nas
sextas-feiras de abril e maio, no auditório do Espaço de Arte (Rua Alberto
Folloni, 1534 | Ahú) às 19h30, o público curitibano poderá assistir a
grandes filmes e participar de debates entusiasmados numa via de
investigação que coloca o cinema em diálogo com a literatura (Terra em
Transe, 6/4), a política (A Classe Operária Vai ao Paraíso, 13/4), as artes
visuais (Kill Baby Kill, 20/4),o direito (Justiça 27/4), a arquitetura
(Metropolis 4/5), a história (Ascenssão de Luis XIV, 11/5), o teatro (Cópia
Fiel, 18/5) e a filosofia (Era uma Vez em Tóquio, 25/5).
A programação foi concebida priorizando não os conteúdos dos filmes, mas
sim suas estruturas. De que maneira Fritz Lang concebe "Metrópolis" a
partir de seu olhar de arquiteto? Como "Terra em Transe" está formalmente
ligado à tradição da poesia moderna brasileira? De que maneira os jogos
dramáticos de Kiarostami em "Cópia Fiel" reconfiguram o lugar do ator no
diálogo? Como Mario Bava trabalha a plasticidade e a cor nos quadros vivos
de "Kill Baby Kill"? Estes são alguns exemplos dos questionamentos que
norteiam este trabalho.

(trans)cinema 27/04: "Justiça" de Maria Augusta Ramos

Justiça, documentário de Maria Augusta Ramos, pousa a câmera onde
muitos brasileiros jamais puseram os pés – um Tribunal de Justiça no
Rio de Janeiro, acompanhando o cotidiano de alguns personagens. Há os
que trabalham ali diariamente (defensores públicos, juízes,
promotores) e os que estão de passagem (réus).

A câmera é utilizada como um instrumento que enxerga o teatro social,
as estruturas de poder – ou seja, aquilo que, em geral, nos é
invisível. O desenho da sala, os corredores do fórum, a disposição das
pessoas, o discurso, os códigos, as posturas – todos os detalhes
visuais e sonoros ganham relevância. O espaço, as pessoas e sua
organização são registrados de maneira sóbria. A câmera está sempre
posicionada em relação à cena mas não se move dramaticamente, não
busca a falsa comoção. Sinal de respeito, de não-exploração. No filme,
não há entrevistas ou depoimentos, a câmera registra o que se passa
diante dela. Maria Augusta Ramos observa um universo institucional
extremamente fechado e que raras vezes é tratado pelo cinema ficcional
brasileiro. Seu filme é tão mais importante em função de nossas
limitações em termos de representação dos sistemas judiciais. Em
geral, nosso olhar é formado pela visão do cinema americano, os
"filmes de tribunal". Justiça, sob esse aspecto, é um choque de
realidade.

A cineasta vai acompanhar um pouco mais de perto uma defensora
pública, um juiz/professor de direito e um réu. Primeiro, a câmera os
flagra no "teatro" da justiça; depois, fora dele, na carceragem da
Polinter e na intimidade de suas famílias.

Com suas opções claras, que não são escondidas por sua opção pela
sobriedade e pela simplicidade, Maria Augusta Ramos deixa evidente
que, como os documentários, a justiça está muito longe de ser isenta.
Como e para quem a justiça funciona no Brasil é a questão que se
apresenta em seu filme, sem respostas definitivas ou julgamentos
preconcebidos.

Serviço:
dia 27 de abril (sexta)
às 19h30
no auditório do Espaço de Arte
( Rua Alberto Folloni, 1534 | Ahú )
Entrada: 1 kg de alimento

Realização: Coletivo Atalante e Espaço de Arte
Apoio: Cinemateca de Curitiba

Mais informações:
COLETIVO ATALANTE
9706-8837
coletivoatalante
http://coletivoatalante.blogspot.com.br/
Coletivo Atalante no facebook

ESPAÇO DE ARTE
3015-6320
espacodearte
www.espacodearte.com.br
Espaço de Arte no facebook

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